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Comissão de Ética em Enfermagem reforça papel educativo e de segurança no cuidado ao paciente

[ Cadastrada em: 20/05/2026 por ES/ ACI-Famesp]


No dia 03/2, ocorreu a posse da Comissão de Ética de Enfermagem do Hospital Estadual de Bauru, com mandato
no triênio 2026-2028. O evento contou com a participação de representantes do COREN-SP.

A Comissão de Ética em Enfermagem desempenha um papel fundamental dentro das instituições hospitalares, atuando como elo entre os profissionais de enfermagem e o Conselho Regional de Enfermagem (COREN). Com foco educativo, preventivo e consultivo, a Comissão trabalha para garantir que a assistência prestada aos pacientes ocorra de forma ética, segura e alinhada às normas profissionais. Sua atuação contribui diretamente para a qualidade do cuidado, a valorização da equipe e a construção de um ambiente de trabalho mais transparente e responsável.

Nesta entrevista, a presidente da Comissão de Ética em Enfermagem do Hospital Estadual de Bauru, Aline Maia Zambonatto, fala sobre sua trajetória, os desafios da área e a importância da ética no cotidiano hospitalar.


Ao centro, a presidente da Comissão de Ética em Enfermagem do Hospital Estadual de Bauru, Aline Maia Zambonatto

ACI-Famesp: A senhora acaba de assumir a presidência da Comissão de Ética em Enfermagem do HEB. Qual é o significado desse momento na sua trajetória profissional?
Aline Maia Zambonatto: Sinto-me extremamente lisonjeada e prestigiada pela equipe de enfermagem. Esta é a terceira vez que integro a Comissão de Ética, e assumir a presidência representa um importante reconhecimento da minha trajetória profissional, além de uma grande responsabilidade.

ACI-Famesp: Para quem não conhece bem o funcionamento interno do hospital, qual é exatamente o papel da Comissão de Ética em Enfermagem?
Aline Maia Zambonatto: A Comissão de Ética em Enfermagem é composta por profissionais da própria instituição e atua como representante do Conselho Regional de Enfermagem (COREN) no ambiente hospitalar. Suas funções são predominantemente educativas, consultivas, orientadoras e de vigilância. Seu principal papel não é punitivo, mas, sim, o de garantir o exercício ético, legal e seguro da enfermagem, atuando na prevenção de infrações e na valorização da profissão.

ACI-Famesp: Em um hospital de alta complexidade, os dilemas éticos se tornam mais frequentes ou mais delicados? Que tipos de situações costumam chegar à Comissão?
Aline Maia Zambonatto: Ambos. Em ambientes de alta complexidade, os dilemas éticos tendem a ser mais frequentes e também mais delicados. Entre as situações mais comuns estão divergências entre profissionais de saúde sobre a melhor conduta para o paciente, conflitos entre equipe e familiares ou pacientes, além de relatos de omissão de cuidados de enfermagem comunicados por pacientes ou familiares.

ACI-Famesp: Como a Comissão contribui, na prática, para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência?
Aline Maia Zambonatto: A Comissão atua de forma preventiva, buscando evitar situações de negligência, imprudência ou imperícia, e garantindo o cumprimento de protocolos assistenciais seguros. Também participa da mediação de conflitos interprofissionais, promovendo soluções éticas que não prejudiquem o paciente, os profissionais envolvidos ou a instituição. Além disso, incentiva a notificação de eventos adversos, com foco no aprendizado e na melhoria contínua dos processos, e não na culpabilização.

ACI-Famesp: Mas existe uma percepção de que comissões de ética atuam apenas de forma punitiva. Esse entendimento é correto?
Aline Maia Zambonatto: Não, esse entendimento não está correto. A atuação da Comissão é, primordialmente, educativa, preventiva e consultiva. O objetivo é orientar os profissionais quanto às boas práticas e ao cumprimento dos códigos de conduta, prevenindo conflitos e desvios éticos.

ACI-Famesp: Como funciona o fluxo quando há uma denúncia ou um questionamento ético envolvendo profissionais de enfermagem?
Aline Maia Zambonatto: É instaurado um processo sindicante para averiguação da denúncia. Quando necessário, são realizadas oitivas com os envolvidos. Caso sejam identificados indícios de infração ética, o processo é encaminhado ao COREN-SP para as devidas providências.

ACI-Famesp: Quais são os principais desafios éticos enfrentados hoje pela enfermagem dentro de instituições hospitalares?
Aline Maia Zambonatto: Um dos principais desafios é romper o estigma de que a Comissão atua de forma punitiva. Além disso, destacam-se questões como carga de trabalho e dimensionamento de pessoal, que podem levar à omissão de cuidados e gerar sofrimento moral nos profissionais. Outro ponto importante é a garantia do sigilo profissional, especialmente no uso de prontuários eletrônicos e nas redes sociais.

ACI-Famesp: A tecnologia e os avanços na assistência intensiva trazem novos dilemas éticos? De que forma?
Aline Maia Zambonatto: Sim, a evolução tecnológica traz dilemas cada vez mais complexos. A possibilidade de manutenção artificial de funções vitais, o uso de inteligência artificial e a telemedicina ampliam as capacidades assistenciais, mas também levantam questões relacionadas à dignidade humana, à autonomia do paciente e aos limites da vida, especialmente em ambientes como a UTI.

ACI-Famesp: Quais são suas prioridades à frente da Comissão neste início de gestão?
Aline Maia Zambonatto: Minhas principais prioridades são evitar subnotificações de eventos adversos e fortalecer a orientação da equipe de enfermagem sobre o real papel da Comissão de Ética, promovendo maior aproximação e confiança entre os profissionais e a Comissão.

ACI-Famesp: Que mensagem a senhora gostaria de deixar para a equipe de enfermagem sobre a importância da ética no cotidiano assistencial?
Aline Maia Zambonatto: Ser ético é agir corretamente mesmo quando ninguém está observando. A ética deve estar presente em todas as nossas ações, garantindo um cuidado seguro, respeito ao paciente e valorização da nossa profissão.

Mensagem final
“Lembrem-se: estamos cuidando do amor de alguém!”